Desde quando avistei aquela canoa sendo construída, algo me apertou o coração.
Algo dentro de mim disse que o pai partiria. Sua ausencia, fez de meus dias uma
tristeza tamanha, mas sempre com a esperança de que um dia ele ia de voltar.
O pai nos abandonou. Tornei-me o homem que sou hoje com ajuda da vida. E agora
sou como ele, meu pai. Da maneira como ele se foi, eu também fui, seguir os passos
de meu pai era meu grande desejo. Só não era maior do que a vontade de reencontra-lo
em algum lugar para onde o rio o tenha levado. E as mesmas correntesas que o levaram
para longe de mim, me conduzam ao seu encontro.
Amanda Santana
domingo, 9 de maio de 2010
Comentário (por vagda)
O texto é uma simbologia do pai, uma figura intacta. Que na verdade não quer nada com nada. Anda desligado de tudo, dos filhos, da esposa e até dos amigos. Fala o que não deve. E ouvi o que não quer. E ainda cria dentro de sua própria autonomia. Manda fazer uma canoa, o verdadeiro símbolo de sua fraqueza. Diz que é para conhecer um mundo que não conhece. Mas se depara com os erros de sua loucura. Horas homem comum amigo dos seus filhos, um pai carinhoso, um marido exemplar e um amigo dos amigos. Conhecido e respeitado em toda cidade. Outras um covarde. Um dos filhos interpreta a atitude de seu pai como um herói. Descreve cada detalhe com carinho e ao mesmo tempo tristeza. Não desejava esse abandono. A família aprende a conviver sem sua presença, os filhos cresceram, uns se casam e até netos lhe deram e onde ele estava? Perdido entre seus pensamentos.
Sob a ótica do pai
Filho não carece de ocê ficar me seguindo, tome seu rumo,faça como seus irmãos e sua mãe,que me deixaram seguir o rio na agonia dos meus pensamentos.
Já estou arrependido de ter manejado a canoa ao seu encontro ,não esperava que ocê fosse se assustar,só queria pedir pra ocê não depositar mais rapadura,broa de pão e os cachos de banana,porque o cheirinho da broa me atormenta, me alembra o aconchego de casa e deixa esse meu coração velho apertado e ele já está fraco e arrependido de ter deixado tudo prá trás.
Eu devia de ter feito uma canoa mais fraca, com pau inferior ao de vinhático prá que ela apodrecesse logo no vai-e-vem do rio, aí eu ia ter a desculpa de poder voltar, mas não, ela é forte como meu sofrimento, não se acaba nunca,as vezes,rezo prá ela emborcar quando vem a chuva,mas ela só sacoleja de um lado pro outro e não vira é teimosa como sua mãe.As vezes me ponho a pensar:será que todos já me esqueceram? Agora to vendo que ocê não, está atormentado sentindo minha falta filho.
Me alembro também edo dia que lhe botei à bênção eque ocê queria partir comigo, ainda bem que ocê ficou,aqui é só rio,de ponta a ponta grande como minha solidão.Quando chega o dia ,olho prá cima,só vejo céu,com a cabeça escorada na proa,quando olho prá baixo só vejo rio,rio,rio. Então pergunto: por que ocê haverá de tomar meu lugar na canoa filho? Se eu vi nos seus olhos o pavor de trocar de lugar comigo?Não pense que isso vai me chatear-não vai não,já estou acostumado com tudo que é ruim.
A primeira delas foi deixar ocês, a outra foi não abraçar meu neto naquele dia no rio e,agora é ver o quanto ocê se agonia prá querer tomar o meu lugar na canoa,mas lhe falta coragem,e é dessa coragem que eu precisava prá não me embrenhar nesse riozão,coragem de não ter saído de casa,mas é minha sina,manejar remo nágua até o desfalecimento.
Vou pedir prá Deus que assossegue esse seu coração atormentado filho, ocê não precisa de ter culpa de nada,o culpado de tudo sou eu nessa água que não pára nunca,como minhas lágrimas a rolar...sem fim.Volte prá casa filho.
Cloris Valente
Já estou arrependido de ter manejado a canoa ao seu encontro ,não esperava que ocê fosse se assustar,só queria pedir pra ocê não depositar mais rapadura,broa de pão e os cachos de banana,porque o cheirinho da broa me atormenta, me alembra o aconchego de casa e deixa esse meu coração velho apertado e ele já está fraco e arrependido de ter deixado tudo prá trás.
Eu devia de ter feito uma canoa mais fraca, com pau inferior ao de vinhático prá que ela apodrecesse logo no vai-e-vem do rio, aí eu ia ter a desculpa de poder voltar, mas não, ela é forte como meu sofrimento, não se acaba nunca,as vezes,rezo prá ela emborcar quando vem a chuva,mas ela só sacoleja de um lado pro outro e não vira é teimosa como sua mãe.As vezes me ponho a pensar:será que todos já me esqueceram? Agora to vendo que ocê não, está atormentado sentindo minha falta filho.
Me alembro também edo dia que lhe botei à bênção eque ocê queria partir comigo, ainda bem que ocê ficou,aqui é só rio,de ponta a ponta grande como minha solidão.Quando chega o dia ,olho prá cima,só vejo céu,com a cabeça escorada na proa,quando olho prá baixo só vejo rio,rio,rio. Então pergunto: por que ocê haverá de tomar meu lugar na canoa filho? Se eu vi nos seus olhos o pavor de trocar de lugar comigo?Não pense que isso vai me chatear-não vai não,já estou acostumado com tudo que é ruim.
A primeira delas foi deixar ocês, a outra foi não abraçar meu neto naquele dia no rio e,agora é ver o quanto ocê se agonia prá querer tomar o meu lugar na canoa,mas lhe falta coragem,e é dessa coragem que eu precisava prá não me embrenhar nesse riozão,coragem de não ter saído de casa,mas é minha sina,manejar remo nágua até o desfalecimento.
Vou pedir prá Deus que assossegue esse seu coração atormentado filho, ocê não precisa de ter culpa de nada,o culpado de tudo sou eu nessa água que não pára nunca,como minhas lágrimas a rolar...sem fim.Volte prá casa filho.
Cloris Valente
MÚSICA: VOANDO SEM DESTINO
AUTORA: JUDITE TORRES GUIMARÃES
Minha águia voa longe,
Voa, voa sem parar,
Muito além do infinito,
Para os rumos do rio mar.
Rio que corre a canoa,
Canoa corre no rio,
Indo pra terceira margem,
Onde gente nunca viu.
Voa, voa minha águia,
Sobrevoa a canoa,
Veja o homem pensativo,
Sem saber o seu destino.
Onde vive navegando,
Navegando no rio mar,
Sempre dentro da canoa,
Rema, rema sem parar.
Voa, voa minha águia,
Entre as nuvens lá no céu,
Observa a canoa,
Feito barco de papel.
Vem voando minha águia,
Vem voando para o ninho,
Deixa isso, deixa agora,
Cada um tem seu destino.
Minha águia voa longe,
Voa, voa sem parar,
Muito além do infinito,
Para os rumos do rio mar.
Rio que corre a canoa,
Canoa corre no rio,
Indo pra terceira margem,
Onde gente nunca viu.
Voa, voa minha águia,
Sobrevoa a canoa,
Veja o homem pensativo,
Sem saber o seu destino.
Onde vive navegando,
Navegando no rio mar,
Sempre dentro da canoa,
Rema, rema sem parar.
Voa, voa minha águia,
Entre as nuvens lá no céu,
Observa a canoa,
Feito barco de papel.
Vem voando minha águia,
Vem voando para o ninho,
Deixa isso, deixa agora,
Cada um tem seu destino.
MÚSICA: A CANOA
AUTORA: ANTONIA TORRES GUIMARÃES COSTESSEQUE
É na canoa nesse rio imenso,
E na canoa o velho vem e vai,
Vai navegando pelo rio adentro,
E ouve o vento a lhe sussurrar,
Vai navegando pela mata virgem,
A natureza vai lhe acompanhar,
E na canoa nas suas noites tristes,
Vem a lua pra lhe acalentar.
É na canoa nesse rio imenso,
E na canoa o velho vem e vai,
Vai procurando seu próprio destino,
Com sua canoa ele vai olhar,
E com a chuva a tocar seu rosto,
Vem o sol para lhe despertar.
Vai navegando longe dessa gente,
Vai navegando pro lado de lá,
Deixa sua gente, deixa seus amigos,
E pro seus filhos um beijo vai dar,
Pra sua mulher um olhar languido,
Pois na canoa é que ele vai ficar.
Os animais perguntam o que é isso,
O que esse homem faz neste lugar,
Ele que ir para a terceira margem,
Pois é onde resolveu morar.
O vento ao pai:
Ser musica é ser som e ser silêncio.
Silêncio é swing
Ruído é movimento.
Para ser uma parte de um todo inteiro; o perfeito lado de um oposto complementar, é preciso que sejas inteiro na parte que te cabe. Se não aprenderes por ti mesmo, só um semelhante para te guiar: Eu, vento.
Abandone os remos. Te deixes à deriva de meus sopros: ensinamento!
Para ser todo música, é preciso ser muito silêncio e bastante som.
É o silêncio que entra nos alvéolos – inspiração. Pra só depois expirar a energia que vibra - som.
É pelo silêncio que contemplas o universo inteirinho dentro do corpo.
Um tempo de solidão é uma dádiva. Dois tempos mais… Desgraça?
Mas, eis que diz o silêncio:
“buscai por mim, buscai por mim, mas jamais me encontrarás” – Já provara o velho Cage.
É mesmo o silêncio ausência de som?
Ausência de som é ausência de vida.
Silêncio pulsa.
Pulsa porque alimenta.
Alimenta porque vivifica.
Bendito seja o estar em silêncio!
Que sejas então, Senhor do não som!
Que suportes nada ouvir e nada pronunciar. Nem uma nota ferir, nem um solfejo sequer cantarolar. Que cerrem seus lábios e ouvidos até que aprendas a ser inteiro em ser só. (silêncio...)
E quem sabe, quando este tempo findar, serás então todo música? E toda música que manifestar de ti, não será somente aos ouvidos. Será para os olhos, para o tato, para o olfato, para as papilas gustativas. Música para os pés descalços, para o umbigo e para as entranhas. Para as pálpebras em movimento, para os dentes e cabelos. Música para toda a gente, alma.
Corpo inteiro.
por agora:
- Shhhh!...
Cibelle Jemima
Silêncio é swing
Ruído é movimento.
Para ser uma parte de um todo inteiro; o perfeito lado de um oposto complementar, é preciso que sejas inteiro na parte que te cabe. Se não aprenderes por ti mesmo, só um semelhante para te guiar: Eu, vento.
Abandone os remos. Te deixes à deriva de meus sopros: ensinamento!
Para ser todo música, é preciso ser muito silêncio e bastante som.
É o silêncio que entra nos alvéolos – inspiração. Pra só depois expirar a energia que vibra - som.
É pelo silêncio que contemplas o universo inteirinho dentro do corpo.
Um tempo de solidão é uma dádiva. Dois tempos mais… Desgraça?
Mas, eis que diz o silêncio:
“buscai por mim, buscai por mim, mas jamais me encontrarás” – Já provara o velho Cage.
É mesmo o silêncio ausência de som?
Ausência de som é ausência de vida.
Silêncio pulsa.
Pulsa porque alimenta.
Alimenta porque vivifica.
Bendito seja o estar em silêncio!
Que sejas então, Senhor do não som!
Que suportes nada ouvir e nada pronunciar. Nem uma nota ferir, nem um solfejo sequer cantarolar. Que cerrem seus lábios e ouvidos até que aprendas a ser inteiro em ser só. (silêncio...)
E quem sabe, quando este tempo findar, serás então todo música? E toda música que manifestar de ti, não será somente aos ouvidos. Será para os olhos, para o tato, para o olfato, para as papilas gustativas. Música para os pés descalços, para o umbigo e para as entranhas. Para as pálpebras em movimento, para os dentes e cabelos. Música para toda a gente, alma.
Corpo inteiro.
por agora:
- Shhhh!...
Cibelle Jemima
Ótica do Pai (parte 2)
Aquele rio escuro cheio de mistérios e bichos me chamou para junto dele, e mergulhei naquele verde, naquela imensidão, naquela margem, o som dos pássaros me conformava e a brisa do vento me acalmava .Era uma sensação tão boa que nunca tinha sentido, então continue remando, remando, remando sem destino, rumo a terceira margem que tanto me suportava.Tudo era tão novo a sensação era muito gostosa que nem lembrava mais da minha família.Parei de remar e fiquei observando o barulho inquietante daquele rio que me adorava e aceitava.Era o paraíso.Então mergulhei naquela água fria e ao mesmo tempo quente que tanto me chamava era tão bom sentir o rio, que nem penso em volta para minha família.
Felippe Rodrigues Batista
Felippe Rodrigues Batista
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